segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

ORIGEM DA VIDA

 


Origem da vida - Principais teorias

Há muitas perguntas que o campo da biologia tenta explicar. Existem as teorias religiosas (Criacionismo) e as teorias científicas, com as condições ambientais em que a vida surgiu. O Universo foi criado por Deus ou as condições materiais e do ambiente ao longo do tempo permitiram que a vida surgisse? 

As teorias de origem da vida muitas vezes se tornam assunto polêmico, pois muitas delas questionam ideias profundamente enraizadas na cultura e nos hábitos de nossa sociedade.

 A curiosidade é uma característica imanente, que faz parte da natureza dos seres humanos. Desde a história antiga há indícios de que o ser humano questiona a origem dos homens e dos demais seres vivos. Entretanto, com o decorrer do tempo e os diferentes avanços científicos, novas tentativas de explicações sem cunhos religiosos foram surgindo. 

Criacionismo e fixismo: Criacionismo é a teoria que considera que todos os seres vivos foram criados a partir de intervenção divina. Várias culturas e religiões seguem esta ideia. E, até pouco tempo atrás, esta era uma ideia também aceita no meio científico.

Até o século XVIII a maior parte dos cientistas acreditava que cada espécie havia surgido na Terra independentemente, sem parentesco entre si e que suas características permaneciam inalteradas ao longo do tempo. A estas ideias, damos o nome de teoria fixista.

                                                              
                                                    CRIACIONISMO OU FIXISMO

Panspermia ou cosmogenia: Hipótese que diz que a vida teve origem em outro planeta e foi trazida para o planeta Terra carregada por meteoros que trazia formas de vida bastante simples.

Atualmente esta é uma teoria desacreditada, principalmente pelo fato de que ela transfere o “problema” da origem da vida para outro planeta.


                                                
                                                    PANSPERMIA OU COSMOGENIA

Abiogênese ou geração espontânea: É a hipótese que afirma que os seres vivos podem surgir da matéria sem vida. Dizia-se que algumas substâncias possuíam “força vital” capaz de produzir seres vivos.

Esta hipótese foi inúmeras vezes testada e supostamente corroborada pelo surgimento “inexplicável” de moscas sobre a carne, ratos em trapos sujos, decomposição de matéria orgânica etc. O cientista italiano Franceso Redi (1626 – 1698) foi o primeiro a questionar essa ideia, realizando o experimento a seguir:



Microscópio revela os Microrganismos

Com o advento do microscópio foi possível visualizar a existência de microrganismos e a teoria da abiogênese voltou a ganhar força, afirmando-se que somente seres muito simples poderiam surgir a partir da matéria inanimada.

Em 1862, o cientista francês Louis Pasteur realizou um novo experimento para questionar a abiogênese, veja a seguir:



Com este experimento, Louis Pasteur conseguiu comprovar que mesmo existindo condições essenciais à vida (ar, água e nutrientes) os seres vivos não podem surgir a partir da matéria inanimada.

Agora que já sabe tudo sobre as principais teorias de origem da vida, que tal testar seus conhecimentos?

QUESTÕES SOBRE AS TEORIAS DE ORIGEM DA VIDA

1) (UEL-PR) Charles Darwin, além de postular que os organismos vivos evoluíam pela ação da seleção natural, também considerou a possibilidade de as primeiras formas de vida terem surgido em algum lago tépido do nosso planeta. Entretanto, existem outras teorias que tentam explicar como e onde a vida surgiu. Uma delas, a panspermia, sustenta que:

A) as primeiras formas de vida podem ter surgido nas regiões mais inóspitas da Terra, como as fontes hidrotermais do fundo dos oceanos.
B) compostos orgânicos simples, como os aminoácidos, podem ter sido produzidos de maneira abiótica em vários pontos do planeta Terra.
C) bactérias ancestrais podem ter surgido por toda a Terra, em função dos requisitos mínimos necessários para a sua formação e subsistência.
D) a capacidade de replicação das primeiras moléculas orgânicas foi o que permitiu que elas se difundissem pelos oceanos primitivos da Terra.
E) a vida se originou fora do planeta Terra, tendo sido trazida por meteoritos, cometas ou então pela poeira espacial.

2) (UEL) Em 1953, o norte-americano Stanley Miller construiu um aparelho que simulava as condições supostamente existentes na Terra primitiva. Esse experimento de Miller foi importante, pois demonstrava que:

A) os primeiros seres vivos eram autótrofos.
B) os primeiros seres vivos eram heterótrofos.
C) a vida se originou no espaço.
D) moléculas orgânicas poderiam ter se formado nas condições da Terra primitiva.
E) a vida surgiu nos mares primitivos.

3. (UFCSPA/2009) Assinalar a alternativa INCORRETA:

 A) Órgãos de mesma origem evolutiva, embora possam apresentar funções diferentes, são chamados de homólogos.

B)    Algumas das ideias de Alexander Oparin acerca da origem da vida foram comprovadas experimentalmente por Stanley Miller e Sidney Fox.

C)    São evidências da evolução das espécies a anatomia, a embriologia e a bioquímica comparadas, bem como o estudo dos fósseis.

D)     Órgãos de diferentes evolutivas e que apresentam mesma função são chamados de análogos.

E)    Um dos experimentos de Louis Pasteur corroborou a teoria da geração espontânea.

 

4. (Uel) Charles Darwin, além de postular que os organismos vivos evoluíam pela ação da seleção natural, também considerou a possibilidade de as primeiras formas de vida terem surgido em algum lago tépido do nosso Planeta. Entretanto, existem outras teorias que tentam explicar como e onde a vida surgiu. Uma delas, a panspermia, sustenta que:

 

A)    As primeiras formas de vida podem ter surgido nas regiões mais inóspitas da Terra, como as fontes hidrotermais do fundo dos oceanos.

B)     Compostos orgânicos simples, como os aminoácidos, podem ter sido produzidos de maneira abiótica em vários pontos do planeta Terra.

C)    A capacidade de replicação das primeiras moléculas orgânicas foi o que permitiu que elas se difundissem pelos oceanos primitivos da Terra.

D)    A vida se originou fora do Planeta Terra, tendo sido trazida por meteoritos, cometas ou então pela poeira espacial.

E)     Bactérias ancestrais podem ter surgido por toda a Terra, em função dos requisitos mínimos necessários para a sua formação e subsistência.

 

5. (UFPR) considerando as teorias mais aceitas atualmente para a origem da vida e o início da história dos seres vivos, considere as seguintes afirmativas:

1. A simbiose teve papel relevante na origem dos eucariontes.

2. A diversidade de funções desempenhadas pelo RNA leva a crer que este tenha sido precursor do DNA.

3. Organismos multicelulares, como as plantas, foram responsáveis pelo início do grande aumento da concentração de oxigênio na atmosfera terrestre.

4. A existência do oxigênio na atmosfera terrestre foi imprescindível para o surgimento da vida.

Assinale a alternativa correta:

A)     Somente as afirmativas 1 e 3 são verdadeiras.

B)    Somente as afirmativas 2 e 4 são verdadeiras.

C)    Somente as afirmativas 1, 2 e 4 são verdadeiras.

D)    Somente as afirmativas 3 e 4 são verdadeiras.

E)    Somente as afirmativas 1 e 2 são verdadeiras.

 

6. (UFC/2009) A definição de vida é motivo de muitos debates. Segundo a Biologia, o início da vida na Terra deu-se com:

 

A)    O surgimento dos coacervados, os quais, em soluções aquosas, são capazes de criar uma membrana, isolando a matéria orgânica do meio externo.

B)    O aumento dos níveis de O2 atmosférico, que permitiu a proliferação dos seres aeróbios.

C)    O surgimento de uma bicamada fosfolipídica, que envolveu moléculas com capacidade de autoduplicação e metabolismo.

D)    O resfriamento da atmosfera, que propiciou uma condição favorável para a origem de moléculas precursoras de vida.

E)     O “big bang”, que deu origem ao universo e, consequentemente, à vida.

 

7. (Unesp). Uma vez que não temos evidência por observação direta de eventos relacionados à origem da vida, o estudo científico desses fenômenos difere do estudo de muitos outros eventos biológicos. Em relação a estudos sobre a origem da vida, apresentam-se as afirmações seguintes.

I. Uma vez que esses processos ocorreram há bilhões de anos, não há possibilidade de realização de experimentos, mesmo em situações simuladas, que possam contribuir para o entendimento desses processos.

II. Os trabalhos desenvolvidos por Oparin e Stanley Miller ofereceram pistas para os cientistas na construção de hipóteses plausíveis quanto à origem da vida.

III. As observações de Oparin sobre coacervados ofereceram indícios sobre um processo que se constituiu, provavelmente, em um dos primeiros passos para a origem da vida, qual seja, o isolamento de macromoléculas do meio circundante.

Em relação a estas afirmações, podemos indicar como corretas:

A)     I e II, apenas.

B)    II e III, apenas.

C)    II, apenas.

D)    I, II e III.

E)     I, apenas.

8. (CESGRANRIO) Cientistas americanos descobrem num meteorito de Marte, que caiu sobre a Antártida, fortes indícios de vida fora da Terra. Entre as certezas e dúvidas levantadas por tal fato, ainda sob a luz das teorias atuais, podemos afirmar que as primeiras formas de vida surgidas no nosso planeta eram:


A)    Fungos primitivos com capacidade de atividade fotossintética.

B)    Heterótrofas que utilizavam substâncias formadas na atmosfera e acumuladas nos mares primitivos.

C)    Aeróbias graças à abundância de átomos de oxigênio existente nas águas do oceano.

D)    Fermentadoras que utilizavam a energia radiante para produzir suas moléculas orgânicas.

E)  Todas autótrofas devido à escassez de alimentos nos oceanos primitivos.



GABARITO –ORIGEM DA VIDA

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E

D

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C

B

B


sábado, 13 de fevereiro de 2021

ORIGEM DA VIDA

Uma das questões mais polêmicas e que sempre intrigaram a humanidade é a origem da vida, ou seja, como a vida originou-se na Terra. Para tentar responder essa questão, surgiram várias hipóteses: o criacionismo, abiogênese, biogênese e muitas outras.

Criacionismo

O criacionismo é uma hipótese defendida por religiosos que afirmam que Deus criou o Universo e todos os seres nele viventes, a partir do nada, conforme está descrito no “Gênesis”, livro presente na Bíblia. Essa hipótese é comumente ligada à crença religiosa, não sendo aceita pela comunidade acadêmica. Segundo essa teoria, os seres vivos foram criados da maneira que os vemos hoje, sendo assim imutáveis.

Sabe-se que algumas evidências mostram que os organismos modificam-se com o tempo, 


Teorias da abiogênese e biogênese

A teoria da abiogênese, também chamada de teoria da geração espontânea, postula que um ser vivo origina-se da matéria bruta. Isso se deve à presença de uma força vital ou ao princípio ativo presente na matéria bruta, que poderia gerar a vida. Um exemplo clássico para explicar a geração espontânea era a realização de um experimento usando uma camisa suja e grãos deixados em um ambiente calmo, originando assim, após alguns dias, ratos. Essa teoria foi aceita por milênios.


Já a teoria da biogênese afirmava que um ser vivo provém de outro ser vivo preexistente. Três cientistas, por meio da realização de experimentos controlados, buscaram refutar a teoria da abiogênese: Francesco Redi, Lazzaro Spallanzani e Louis Pasteur.

Apenas após os experimentos realizados por Pasteur conseguiu-se derrubar a teoria da abiogênese. No entanto ainda permanecia a pergunta: como surgiu, então, o primeiro ser vivo? Na tentativa de responder a ela, muitas teorias surgiram, como veremos a seguir. Se quiser saber mais sobre esse assunto, leia nosso texto: Abiogênese x Biogênese.





Panspermia

Essa hipótese, proposta por Anaxágoras e reformulada por Hermann von Helmholtz, postula que a vida na Terra não se originou aqui, mas sim do espaço, por meio de meteoros que aqui se chocaram, trazendo esporos que, em um ambiente favorável, teriam dado origem a formas de vida primitiva.

Essa ideia ganhou força em 1830, quando os químicos Vauquelin e Berzelius   relataram a descoberta de compostos orgânicos em amostras de meteorito. No entanto, como essa hipótese apresenta algumas lacunas, como não explicar como a vida teria surgido em algum outro lugar do espaço, acabou sendo desacreditada.


A panspermia postula que a vida foi trazida para a Terra por meio de meteoros.


Hipótese de Oparin e Haldane

A hipótese mais aceita, atualmente, sobre a origem da vida é a hipótese de Oparin e Haldane. Segundo essa ideia, a Terra primitiva seria constituída por amônia, hidrogênio, metano e vapor d'água, os quais são expelidos constantemente pelas atividades vulcânicas. A condensação desse vapor d'água deu origem a um ciclo de chuvas, pois estas, ao atingirem a superfície ainda quente da Terra, voltavam a evaporar, iniciando assim um novo ciclo.

Mediante ação das radiações ultravioletas do Sol e das constantes descargas elétricas, os elementos presentes na atmosfera passaram a reagir, dando origem aos primeiros compostos orgânicos, denominados aminoácidos. As chuvas carreavam esses compostos para os oceanos primitivos, os quais se formaram quando ocorreu o resfriamento da superfície da terra, permitindo o acúmulo de água na superfície.

Nos oceanos primitivos, esses aminoácidos uniram-se, formando compostos semelhantes a proteínas (proteinoides), e, em seguida, após novas reações, essas deram origem aos coacervados. Estes se tornaram mais estáveis e complexos, controlando as próprias reações químicas e sendo capazes de autoduplicar-se, originando, assim, os primeiros seres vivos.

Experimento de Miller e Urey.
Experimento de Miller e Urey.

Em 1953, os cientistas Stanley Miller e Harold Urey conseguiram, por meio da realização de um experimento, que simulava a atmosfera primitiva segundo a hipótese de Oparin e Haldane, produzir artificialmente várias moléculas de aminoácidos. Esse experimento serviu para comprovar que, segundo as condições descritas por Oparin e Haldane, os primeiros compostos orgânicos podem ter surgido de reações dos elementos presentes na atmosfera.

Hipótese heterotrófica e autotrófica

A nutrição dos primeiros organismos, se estes eram organismos heterotróficos ou autotróficos, é um tema de discussão. Duas hipóteses buscam elucidar a questão.

Alguns autores acreditam que os primeiros organismos seriam heterotróficos. Isso se deveria ao fato de os primeiros organismos serem simples, não possuindo estrutura para realizar um processo bioquímico mais complexo para a obtenção de alimento, por exemplo, a fotossíntese. Assim, esses organismos nutriam-se de matéria orgânica simples, apresentando como produto final desse processo gás carbônico (CO2) e álcool (C2H5OH), ou seja, os primeiros organismos vivos seriam fermentadores.

Outros autores consideram que a Terra primitiva não teria matéria orgânica suficiente para alimentar os organismos heterotróficos. Assim, os primeiros organismos seriam autotróficos, produzindo suas moléculas nutritivas a partir da energia liberada em reações de compostos inorgânicos presentes nas rochas, como ferro e enxofre. Esses organismos são chamados de quimiolitoautotróficos.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

 Um dos mais renomados neurocientistas do Brasil e do mundo, o pesquisador Iván Izquierdo morreu nesta terça-feira, 9, aos 83 anos, em sua casa em Porto Alegre (RS), algumas semanas após ter desenvolvido um quadro grave de covid-19.

Argentino naturalizado brasileiro, o pesquisador era uma das principais referências nos estudos sobre memória em todo o mundo e um dos cientistas do País mais citados no exterior. Trabalhando com ciência básica, ele desvendou os mecanismos bioquímicos e fisiológicos envolvidos na formação das memórias, em como elas são evocadas, como persistem e também como são esquecidas, no que é considerado um dos seus trabalhos seminais.

Essas pesquisas formaram a base de estudos sobre a doença de Alzheimer que são atualmente o foco principal do Instituto do Cérebro (InsCer) da PUC do Rio Grande do Sul, que ele ajudou a fundar em 2012.

"Ele mostrou como os organismos precisam esquecer para dar lugar a novas memórias. Essa identificação de que para a memória existir é preciso esquecer e que o esquecimento não é algo ruim, mas sim muito importante, foi fundamental", disse ao Estadão o também neurocientista Roberto Lent, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro e amigo de longa data de Izquierdo.

Nos estudos que levaram à descoberta do mecanismo do esquecimento, Izquierdo e equipe conseguiram apagar a memória de ratos por meio do bloqueio da ação da proteína BDNF (sigla em inglês fator neurotrófico derivado do cérebro), que atua justamente na persistência de uma memória.

"Esse sistema decide se a memória vai persistir por mais dois ou três dias, ou por mais uma semana, um mês ou a vida toda. Mas a verdade é que ainda não sabemos por que algumas memórias se mantêm mais que as outras nem como influenciar isso", afirmou Izquierdo ao Estadão em 2007, alguns meses após a publicação do artigo científico.

O trabalho na época se tornou famoso como a possibilidade de se criar uma droga do esquecimento. A descoberta evocava ao filme Brilho Eterno de Uma Mente sem Lembranças, possibilidade que ele rejeitou.

"Seria impossível colocar uma cânula diretamente no cérebro, injetar uma droga por meio dela e apagar uma memória específica sem prejudicar outras funções vitais", disse em 2007 em uma entrevista à revista Piauí.

O trabalho, porém, foi fundamental para entendimentos sobre Alzheimer. "Não seria possível estudarmos hoje essa doença de se não tivéssemos as bases, fornecidas por Izquierdo, de como funciona a memória e como esquecemos", complementou Jaderson Costa da Costa, atual diretor do InsCer.

"Ele era um homem inspirador, culto, tinha uma dedicação e uma persistência para fazer pesquisa nesse País que nunca foi muito fácil para a ciência. Ele não só conseguiu se dedicar e se aprofundar nas pesquisas de memória como colocou esse núcleo de pesquisa no Brasil em padrões internacionais", disse Costa.

Autor de capítulos e livros sobre o assunto, Izquierdo dedicou um especialmente a esse tema. A Arte de Esquecer revela por que o esquecimento é tão fundamental para o funcionamento das nossas memórias. Segundo ele, "a arte de não saturar os mecanismos da memória é algo inato, algo que nos beneficia de maneira anônima, pois nos impede de naufragar em meio às nossas próprias recordações".

Ao longo dos mais de 60 anos de carreira, ele também se dedicou às memórias emotivas, especialmente às relacionadas ao medo, que se, por um lado, são fundamentais à nossa sobrevivência, também são um dos mecanismos principais por trás do estresse pós-traumático. Izquierdo entendia que era possível lidar com elas, mas não apagá-las.

Formado em medicina pela Universidade de Buenos Aires, na Argentina, Izquierdo veio para o Brasil em 1973. Foi logo no começo professor de Fisiologia na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e depois se instalou na Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), onde ficou até se aposentar, como professor de Bioquímica. Na UFRGS ele se tornou tornou professor emérito, em 2014. Em 2004, se mudou para a PUC-RS, onde atuou como professor de Neurologia e mentor do InsCer até falecer.

Em nota enviada pelo instituto, o reitor da PUC-RS, Evilázio Teixeira, definiu como "inquestionável" o legado de Izquierdo como pesquisador e formador de novas gerações de cientistas. "Os frutos de seu trabalho seguirão se multiplicando nas áreas do saber em que imprimiu seu nome e produção científica, especialmente na neurociência. A PUCRS se solidariza com sua família, amigos, colegas, alunos e orientandos", disse.

Lent também ressaltou a capacidade inspiradora que Izquierdo tinha sobre seus alunos e colegas. "Em toda sua trajetória, da Argentina ao Brasil, ele deixou uma enormidade de discípulos, alunos que se tornaram professores em todas as universidades por onde ele passou. Ele continuava colaborando com os grupos da Argentina, da Unifesp. Por onde ele passou, deixou um rastro de colaboradores e novos cientistas", disse ao Estadão.

A neurocientista Mellanie Fontes-Dutra, da UFRGs, conta que foi lendo um capítulo sobre memória escrito por Izquierdo em um livro-texto de neurociência que ela se inspirou a seguir nessa área.

"Ele escrevia com paixão não só sobre as pesquisas que ele consolidou, mas do assunto como um todo. Dava para sentir isso lendo os textos dele e aquilo me fez querer também me tornar aquele tipo de profissional. Ele me mostrou que era possível falar de um assunto complexo de um modo acessível", diz a pesquisadora, que atua também com divulgação científica.

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), lamentou a perda em seu perfil no twitter. "O mundo perdeu hoje um dos seus maiores neurocientistas. Iván Izquierdo, 84 anos, argentino de nascimento e, para nosso orgulho, radicado no RS, era referência mundial em pesquisas sobre memória. Que sua trajetória inspire as novas gerações e simbolize a valorização da ciência", escreveu.

Premiações internacionais

Izquierdo era membro da Academia Brasileira de Ciências e um dos poucos estrangeiros a também compor a Academia de Ciências dos Estados Unidos. Ao longo da carreira, publicou cerca de 700 artigos em periódicos científicos com quase 23 mil citações. O neurocientista recebeu mais de 60 prêmios e distinções nacionais e internacionais, como a Grã-Cruz da Ordem do Mérito Científico (1996), o Prêmio Conrado Wessel (2007), o Prêmio Almirante Alvaro Alberto (2010), e o título Doutor Honoris Causa das universidades de Paraná e Córdoba.

Em 2017, foi o único brasileiro entre os três vencedores do Prêmio Internacional para Pesquisa em Ciências da Vida 2017, da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) por suas descobertas na elucidação de mecanismos dos processos de memória, incluindo consolidação, recuperação e aplicação clínica em envelhecimento. Em 2018 foi laureado com o prêmio Cientista do Ano, na área de neurociências, pelo Instituto Nanocell. Ele é também o pesquisador com o maior número de citações acadêmicas da América Latina.

Izquierdo deixa a esposa, Ivone, filhos e netos. O velório será nesta quarta-feira, 10, das 8h às 11h no Crematório Metropolitano de Porto Alegre.

sexta-feira, 16 de outubro de 2020

 

Biografia de Darwin

Darwin nasceu numa família abastada, tradicional e religiosa, e era filho de Robert Waring Darwin (1766-1848) e de Susannah Wedgwood (1765-1817). Teve três irmãs e um irmão. Sua mãe faleceu quando ele estava com apenas oito anos de idade. Desde pequeno mostrou-se interessado pela natureza e por todos os fenômenos que nela ocorriam. Sempre foi um grande colecionador, e, durante a infância, aprendeu a pescar e caçar.

Formação

Quando jovem, aos 16 anos, Darwin iniciou o curso de Medicina, seguindo uma tradição de família. Entretanto, durante as aulas, em especial naquelas em que deveria realizar uma operação sem anestesia, ele descobriu que não era aquilo que havia sonhado para sua vida, e abandonou o curso. Apesar disso, nessa época, ele pôde conhecer algumas pessoas importantes para o seu crescimento profissional.

Após abandonar o curso, Darwin foi enviado, pelo seu pai, para a Universidade de Cambridge, a fim de cursar bacharelado em Artes e tornar-se clérigo da Igreja anglicana. Nesse momento ele conheceu John Stevens Henslow, um naturalista dedicado à botânica. Esse pesquisador foi importante na vida de Darwin, pois foi quem o indicou para participar da tripulação do HMS (Her Majesty Ship) Beagle, um navio que faria uma grande viagem passando por várias regiões do mundo.

Darwin embarcou no Beagle em 27 de dezembro de 1831, e, durante cinco anos, coletou e observou diversas formas de vida ao redor do mundo, compreendendo melhor as mudanças ocorridas nas espécies. O naturalista também coletou fósseis e fez observações geológicas que o permitiram observar a suposta evolução que as espécies teriam sofrido no decorrer do tempo.

Um dos pontos importantes dessa viagem foi a parada nas ilhas Galápagos. Darwin percebeu que cada ilha possuía um grupo de pássaros endêmico e que, provavelmente, essa especificidade apresentava relação com as características do meio onde eles viviam. Tal análise foi importante para entender o processo de seleção natural por ele proposto posteriormente.

Casamento

Darwin casou-se, em 1839, com Emma Wedgwood, sua prima de primeiro grau, com a qual teve 10 filhos. Dos 10 filhos, três morreram ainda na infância, sendo a morte mais marcante para Darwin a de sua filha Annie, de 10 anos.

Morte

Charles Darwin morreu em 19 abril de 1882, provavelmente em decorrência de um ataque cardíaco. Apesar de suas ideias terem sido radicalmente criticadas pela Igreja, ele foi enterrado na abadia de Westminster, próximo a Isaac Newton.

A origem das espécies

Quando Darwin voltou para a Inglaterra após sua viagem a bordo do Beagle, ele havia compreendido que as espécies sofriam mudanças no decorrer do tempo. Entretanto não publicou de imediato suas percepções, principalmente por questões religiosas. A princípio, suas publicações eram voltadas para a fauna e flora dos locais que visitou durante a viagem.

Em 1958, Darwin recebeu uma carta de Alfred Russel Wallace, e percebeu que o naturalista havia chegado às mesmas conclusões que ele. Essa carta impulsionou-o a escrever sua obra o mais rápido possível. Entretanto, o lançamento do livro não ocorreu de imediato, e, com ajuda de Hooker e Lyell, dois pesquisadores e seus amigos, Darwin e Wallace apresentaram seus artigos no mesmo dia, evitando, assim, que este publicasse primeiro sua teoria.

A obra principal de Darwin, conhecida como A origem das espécies por meio da seleção natural, foi publicada um ano depois, em 1859. Mais tarde foi renomeada com seu título mais conhecido: A origem das espécies. O livro foi um sucesso de vendas, entretanto, a teoria não foi bem aceita, principalmente pelos religiosos.

Teoria da seleção natural

Em sua principal obra, Darwin propôs que a evolução ocorreria graças ao mecanismo conhecido como seleção natural. De acordo com essa teoria, os seres vivos, a todo tempo, estariam lutando para sobreviver no meio ambiente, e o meio seria responsável por selecionar aquele mais apto a sobreviver nele. Assim, o indivíduo que sobrevivesse e reproduzisse-se passaria suas características aos seus descendentes, e, com o tempo, as características vantajosas permaneceriam.


A figura anterior mostra um exemplo de como ocorre a seleção natural. Nele observamos uma raposa e vários roedores brancos e pretos. A princípio, os roedores brancos apresentam-se em maior quantidade do que os roedores pretos. No entanto, aqueles possuem uma desvantagem em relação a estes: são mais facilmente vistos. Isso faz com que a raposa capture mais indivíduos brancos do que pretos. Com o tempo, observamos uma situação diferente daquela observada no início, havendo agora uma maior quantidade de roedores pretos. 

Nessa situação verificamos que os roedores brancos eram menos aptos a viver naquele ambiente, pois não apresentavam uma capacidade de camuflagem como a dos pretos. Estes, então, morriam mais tardiamente e eram capazes de reproduzir-se, passando suas características aos seus descendentes. Nesse exemplo, constata-se que o meio selecionou os roedores pretos.

A seleção natural proposta por Darwin forneceu-nos muitas informações importantes de como as espécies mudavam ao longo do tempo. Entretanto, Darwin não foi capaz de explicar como os caracteres eram herdados. Essas explicações só foram possíveis após o desenvolvimento da genética. Caso tenha maior curiosidade sobre o tema, leia nosso texto: O que é seleção natural?

Por Vanessa Sardinha dos Santos
Professora de Biologia